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DEGENERAÇÃO MACULAR |
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A degeneração macular da idade é uma doença pouco conhecida do público em geral embora seja muito freqüente. Nos Estados Unidos é a principal causa de cegueira acima de 50 anos em pessoas que não são diabéticas. Como a faixa etária da população brasileira vem crescendo, em breve esse também será um problema de saúde pública no Brasil. Provavelmente a culpa desse anonimato é dos próprios oftalmologistas. Como dispúnhamos de poucos recursos para tratá-la dávamos pouca importância à doença, mas isso está mudando. |
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O que é degeneração macular da idade?
A degeneração macular da idade era conhecida até bem pouco tempo com degeneração macular senil ou pela sigla DMS. O nome foi alterado, já que as pessoas que apresentam degeneração macular podem gozar de plena saúde, física e mental – o termo senil era inadequado.
A mácula é a região central da retina. É a área de maior foco e definição das imagens é ela que usamos para leitura e definição das cores. Quem desenvolve a degeneração macular da idade não perde completamente a visão mas fica impedido de ler e fazer trabalhos manuais, não consegue também reconhecer fisionomias. |
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As causas da degeneração macular ainda são desconhecidas, ela se inicia por alterações na camada mais profunda da retina – o epitélio pigmentado. Essa pequena lâmina de tecido é a sede da maior atividade metabólica de todo organismo. O epitélio pigmentado consome proporcionalmente mais oxigênio e açúcar do que o cérebro. Esse elevado metabolismo produz uma grande quantidade de radicais livres e esses têm sido culpados pela destruição e perda da função da retina nas pessoas de mais idade. Um dos argumentos contra essa teoria é que o uso de anti-oxidantes parece não influir na evolução da doença. Temos usado durante anos a vitamina E e o selênio como tratamento coadjuvante, sem sucesso. Parece-nos agora que a vitaminas A e C poderiam ser de alguma ajuda, bem como o hábito de ingerir moderadamente vinho tinto. Pessoas que tomam um cálice de vinho tinto às refeições parecem retardar a evolução da doença. A cerveja e o vinho branco não tem o mesmo efeito. Convém realçar que o consumo deve ser moderado, o álcool é um grande inimigo da saúde.
O tabagismo e a hipertensão arterial parecem acelerar a degeneração do epitélio. Pessoas de pele e olhos claros têm mais chance de desenvolver a doença do que pessoas de pele e íris escura. Se os seus pais têm a doença você terá mais chance de desenvolvê-la na maturidade. Vemos assim que para o surgimento da degeneração macular contribuem fatores étnicos, genéticos e ambientais.
As alterações inicias são manchas esbranquiçadas na retina que chamamos de Drusas. Nessa fase não aparecem sintomas e só o exame do fundo de olho pelo oftalmologista poderá detecta-las. As drusas podem ser moles ou duras dependendo do seu aspecto oftalmoscópico (oftalmoscópio é o aparelho para ver o fundo de olho). As drusas duras são menores e mais claras que as moles e tendem a evoluir para a forma seca da degeneração macular que é mais branda. As drusas moles são maiores e amareladas, elas evoluem para a forma chamada exsudativa, de pior prognóstico. |
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Na forma seca o epitélio vai se degenerando junto com os fotorreceptores (porções especializadas das células da retina que transformam luz em estímulo elétrico para ser enviado ao cérebro) e observamos placas de alteração retiniana, a evolução tende a ser lenta e a visão só é afetada nas fases mais avançadas. É a forma mais frequente de degeneração da idade e é responsável por 80% dos casos de cegueira causados por essa doença.
A forma exsudativa ameaça mais a visão. Nela ocorrem defeitos (buracos) na membrana de Bruch, que fica sob o epitélio pigmentado, que permitem a passagem de vasos da coróide para o espaço sub-retiniano. A coróide é uma esponja de vasos que fica atrás da retina e permite a difusão do oxigênio para o epitélio pigmentado que é um grande consumidor dele. Chamamos esses vasos de membrana neovascular sub-retiniana. Elas sangram e permitem a coleção do plasma sob a retina provocando pequenos descolamentos da retina (descolamento seroso da mácula). O descolamento da retina, as hemorragias sub-retinianas e as alterações do epitélio pigmentado se unem para atrapalhar a visão nesses |
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Tratamento da degeneração macular.
- LASER
Além do aconselhamento alimentar e uso de anti-oxidantes realizamos a coagulação das membranas sub-retinianas com o Laser (fotocoagulação). É uma alternativa limitada de tratamento. Só podemos efetiva-la quando as membranas estão fora da área mais central e são pequenas. Quando as membranas são centrais a destruição delas pelo Laser destrói também a mácula e seria inútil o tratamento.
- RECURSOS DE VISÃO SUB-NORMAL
Alguns pacientes – tanto da forma seca como da exsudativa – podem se beneficiar do uso de recursos ópticos especiais. Chamamos de auxílio de visão sub-normal. Lupas, telelupas, mini telescópios e sistemas de vídeo em grande aumento que permitem a visão de números e letras a quem tem degeneração macular. Os custos variam muito dependendo da complexidade do recurso utilizado, exigem treinamento e persistência. São uma boa alternativa para quem exerce atividades profissionais em que a leitura é importante. Recursos mais simples podem ajudar na leitura das manchetes do jornal ou na hora de assinar um cheque por exemplo.
- CIRURGIA
A primeira esperança para o tratamento cirúrgico desses casos veio em 1991. Um cirurgião norte americano chamado Robert Machemer desenvolveu uma técnica para retirada cirúrgica dessas membranas. Os resultados anatômicos foram surpreendentes e abriram uma nova fronteira para a cirurgia oftalmológica. Podíamos agora trabalhar embaixo da retina, isso era tabu antes dos trabalhos de Machemer. Os pacientes que tem grandes hemorragias sub-retinianas ou descolamentos da retina melhoram, mas são minoria.
Há alguns anos Eugene De Juan, outro norte americano, apresentou seus resultados com uma nova técnica a transladação da mácula. Nessa cirurgia provocamos o descolamento da retina durante o ato operatório e a colamos de volta - tomando cuidado para que a mácula seja colada sobre uma área de epitélio saudável. Podemos então fazer Laser sobre a membrana neovascular que agora está fora da área central.
- TERAPIA FOTODINÂMICA
Serve apenas para a forma exsudativa e na presença de membranas neovasculares com o aspecto que os oftalmologistas chamam de clássica.
O grande problema quando realizamos o Laser é que ele é tão potente que destrói também a retina adjacente às lesões. Como poderíamos tratar as membranas pelo Laser sem danificar a retina?
A resposta vei dos estudos da oncologia. Sabiámos que as metalorfinas eram substâncias que se concentravam em grandes quantidades nos tecidos neovasculares. A verterporfirina é uma dessas substâncias. Ela tem o poder de se ligar a moléculas de colesterol e se concentra fortemente nas membranas neovasculares sub-retinianas. Quando iluminamos a verterporfirina com o Laser infra vermelho (689nn) ela libera radicais livres – peróxidos – que destróem o tecido onde ela se encontra. Como a verterporfirina se concentra nas membranas neovasculares e não na retina, apenas a lesão é destruída por esse Laser especial.
- TERAPIA ANTI-ANGIOGÊNICA
Esse é o tratamento mais moderno para a degeneração macular relacionada a idade. Angiogênese refere-se ao estímulo e produção de novos vasos que servem como um mecanismo de proteção e preservação dos tecidos em crescimento, como ocorre naturalmente durante o desenvolvimento da placenta e do embrião dentro do útero. Porém, em algumas circunstâncias, este estímulo e produção de novos vasos ocorre em resposta ‘a isquemia, uma complicação de várias doenças caracterizada pela falta de suprimento sangüíneo e oxigênio. Daí a produção de novos vasos (neovasos) ocorre de forma desordenada, com características anormais, com vasos de paredes frágeis e propensos a sangramentos e aumento da permeabilidade, levando a edema e acúmulo de líquidos. Isto é o que ocorre, por exemplo, na degeneração macular relacionada ‘a idade (DMRI) exsudativa, com membranas neovasculares sub-retinianas, na retinopatia diabética proliferativa com hemorragias para o vítreo (cavidade interior do olho) e/ou edema macular.
A terapia anti-angiogênica já tem sido utilizada há alguns anos para o tratamento de alguns tipos de câncer intestinal. O objetivo destes medicamentos e combater os elementos que estimulam o crescimento de vasos e nutrem os tumores, fazendo-os crescer. Com a inibição do suprimento vascular do tumor, eles tendem a regredir e o câncer pode ser tratado. No caso do olho, vários estudos foram realizados com substâncias anti-angiogênicas em que existe a presença de neovasos (vasos anômalos), como a degeneração macular relacionada à idade, retinopatia diabética, oclusões venosas da retina e outras doenças isquêmicas da retina, com resultados preliminares motivadores.
Para o tratamento da doença ocular é necessária a injeção da medicação dentro do olho (intra-ocular). O volume da medicação é muito reduzido (menos que 0,1 ml) e o procedimento é realizado com anestesia tópica local, com duração de cerca de 5 minutos. O efeito do tratamento geralmente começa a aparecer após 2 a 4 semanas, embora, dependendo da doença, pode não haver melhora notável da visão, mas apenas regressão da neovascularização, o que pode significar uma redução no avanço da doença.
Nos últimos 10 anos, surgiram muitos tratamentos para o tratamento da DMRI. Como a doença atinge uma área muito importante visual que é a mácula, os resultados não são muito satisfatórios. A maioria dos tratamentos visa tentar conter a progressão da doença e, somente em alguns poucos casos pode-se obter alguma melhora visual. Um dos maiores problemas destes tratamentos para a DMRI no Brasil são os custos dos medicamentos importados e lasers de última geração, o que acaba tornando essas terapias inviáveis para a maioria da população. Como estes tratamentos são em geral muito recentes, embora realizados mundialmente, a maioria dos planos de saúde não confere cobertura para a realização destas novas terapias.
A terapia anti-angiogênica apresenta a vantagem de não necessitar do uso do laser e existem novos medicamentos, com custo mais acessível, permitindo beneficiar um número maior de pacientes aqui no Brasil.
O grupo Colaborativo de Estudos em Retina Panamericano (PACORES) já realizou este tipo de terapia em cerca de 900 pacientes, incluindo Brasil, outros países da América do Sul e Central. Os resultados mostraram que o tratamento é eficaz e seguro, com incidência de complicações como endoftalmite (infeccção), hemorragia vítrea e descolamento da retina, menores que 1%. Outros trabalhos publicados recentemente nos E.U.A. confirmaram estes achados.
Abandonar o cigarro, comer frutas e verduras frescas, beber vinho tinto moderadamente e consultar periodicamente um oftalmologista parecem bons conselhos mesmo para os mais jovens. Os avanços em novas drogas e cirurgia da retina na última década prenunciam uma oftalmologia complexa e eficiente para o século 21.
Novas técnicas como o implante de micro-chips na retina e até mesmo o transplante de retina - frutos da ficção científica - já estão nos laboratórios. Com certeza ainda temos um longo caminho pela frente mas já podemos encarar mais esperançosos o futuro.
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